domingo, 12 de janeiro de 2014

Wolverine: Snikt!

Snikt!

Se você curte quadrinhos e cresceu nos anos 80, conhece bem essa onomatopeia, assim como o irascível canadense que usava técnicas orientais para controlar seu “lado animal”.
Logan, o Wolverine, foi aos poucos crescendo em popularidade até se tornar o incansável personagem que aparece em várias revistas no mesmo mês, que praticamente protagonizou cinco filmes da franquia mutante do estúdio Foxe que, não satisfeito, apareceu noutro mandando os protagonistas se ferrarem.
Em 2014, sua primeira aparição e a primeira surra que levou do Hulk completam 40 anos. A primeira missão? Conter uma luta entre o monstro verde e a fera canadense conhecida como Wendigo. O design original do personagem, criado porJohn Romita Sênior e desenhado na história por Herb Trimpe, era bem mais simples, lembrando um felino, e suas garras pareciam ser parte da luva, algo que poucos meses depois, em sua segunda aparição, sofreu pequenas alterações.
Capa de "O Incrível Hulk", primeira aparição de Wolverine
Len Wein, o criador do personagem, queria fazer um grupo internacional de X-Men composto por personagens nativos dos países consumidores dos quadrinhos Marvel. Não foi o que aconteceu: a ideia praticamente ficou só no projeto por uma edição ou duas. Mas em 1975, em “Giant Size X-Men #1” (escrita por Wein e ilustrada por Dave Cockrum), um grupo de mutantes de países díspares, como Irlanda, África, Rússia, Japão, Canadá e até um índio nativo americano, quebrou o longo hiato de histórias inéditas da franquia com a missão de resgatar a geração anterior do grupo, que estava aprisionada em Krakoa, a ilha viva. O resgate foi um sucesso e o grupo seguiu suas aventuras com uma equipe que mesclava integrantes das duas gerações.
Dentre eles, o mutante canadense que, até finalmente conseguir se aclimatar no novo grupo, colecionou muitos desafetos. Ora por quase estripar qualquer um que olhasse errado pra ele, ora por suas atitudes quanto ao que queria, como quando teve uma paixão supostamente platônica por Jean Grey e quase matou o Ciclope, namorado da poderosa telepata, até que a ruiva deixou claro que entre os dois nada poderia surgir. Por outro lado, como expatriados e deslocados se unem, Logan de cara ganhou dois amigos: ColossusNoturno, e os três forjaram uma grande amizade.
Capa da "Giant Size X-Men #1"

Uma curiosidade dos primeiros dias mostra uma das muitas ideias para o personagem que foram abandonadas pelo caminho: no primeiro confronto com os Sentinelas, os robôs gigantes não o reconheceram como mutante. Na época, Chis Claremont, que assumiu os roteiros no lugar de Wein, pretendia seguir a ideia de seu predecessor e colocar Logan como um carcaju (Wolverine) evoluído até se tornar um homem. A editora tem o Alto Evolucionário, personagem que cria soldados evoluindo animais, mas como havia a possibilidade de outra personagem ganhar a mesma origem, o canadense seguiu mutante.
Humano e mutante, mas numa acirrada luta interna contra seu lado animal, a fera começou a ser domesticada após a primeira viagem dos “Novos X-Men” ao Japão, quando estes enfrentaram Moses Magnun, um vilão que ameaçava usar seu poder para causar poderosos terremotos e afundar o Japão caso não fosse devidamente recompensado. Neste ínterim, o grupo ficou na casa de Solaris, um dos membros da segunda leva que havia abandonado o grupo após a primeira aventura, e o irascível canadense se aproximou de Mariko Yoshida, a doce “princesa” que aos poucos foi amansando a fera.
Wolverine e Mariko
Os dois viveram um romance proibido, motivo do retorno do personagem ao Japão, quando resolveu abandonar suas aventuras e se casar com a Japonesa.
John Byrne, que assumiu a arte após a saída de Cockrun e foi um dos artistas mais marcantes da série, era um inglês radicado no Canadá. Byrne gostou tanto do personagem que decidiu fazer com que ele aparecesse mais dentro da revista, até que, em 1980, no número 130 da publicação americana, ele estrelou: “Wolverine: Alone”. Na história, parte do ciclo da Saga da “Fênix Negra“, ele invade oClube do Inferno para salvar seus colegas aprisionados em seu interior. Byrne também foi responsável pelo envelhecimento do herói, que nas histórias originais era desenhado quase como um adolescente, pouco mais velho que seus colegas.
Aos poucos, Wolverine foi se transformando no tipo de herói de ação que faria sucesso nos anos 80 e, no final da década, enfim ganhou o tão sonhado título próprio.
Aguarde a segunda parte da evolução do Carcaju em Wolverine #2: Made In Japan, aqui no Pipoca Gigante.

A Lira dos 50 anos: Os filhos do átomo

A Lira dos 50 anos: Os filhos do átomo

Nos últimos dois artigos comecei um passeio pela alameda da memória que terminará neste. Goste você ou não, este será o último cinquentão da lista. Mais importante do que todos os outros, estamos no ano do cinquentenário de Doctor Who, mas, infelizmente pra você, o Doutor não é um personagem de quadrinhos e você vai ter que se contentar com os X-Men.
Quando você ouviu falar dos X-Men pela primeira vez?
Se você tem a minha idade e gosta de animações, a presença deles num dos desenhos desanimados da Marvel provavelmente passou despercebida e você os viu pela primeira vez numa animação nos anos 80, em “Homem-Aranha e seus Incríveis Amigos“. Mais novo do que eu, você pode ter visto os heróis na animação dos anos 90 ou no primeiro filme dos anos 2000.
Nos anos 80 eles estavam bombando aqui no Brasil. O título “Os Novos X-Men“, deChris Claremont e Dave Cockrun, estreou noAlmanaque Marvel 4, da RGE, que havia publicado histórias clássicas da série nos três números anteriores. O grupo internacional e suas aventuras inovadoras me pegaram de jeito e, quando John Byrne assumiu a arte, eu virei fã.
Parte do motivo do salto no tempo é que até aquele momento o título não era sucesso de público nem de crítica.
Quando surgiram em 1963 eram só mais um grupo. A mutação em si já foi uma demonstração do cansaço de Stan Lee, que inventou o Universo Marvel praticamente sozinho. Não, isso não é verdade. Ele teve ajuda de Jack KirbySteve DitkoDon HeckWally WoodGil Kane e de outros artistas importantes pra época, mas como ele criava o argumento e corrigia o texto quando o material voltava para suas mãos, a palavra final era sua.
Primeira equipe mutante: Anjo, Ciclope, Jean, Fera, Professor X e Homem de Gelo
O curioso é que a analogia feita anos depois de queCharles Xavier e Magneto seriam, respectivamente, o Martin Luther King e o Malcom X da editora não ajudou a popularizar o título. Afinal, mesmo com a criação dos Sentinelas (robôs construídos para capturar ou exterminar mutantes) na edição 14 (1965), esse tom de preconceito e perseguição racial e ideológica para as histórias não foi bem desenvolvido até a primeira década dos anos 70, e os personagens ficaram perdidos. Sim, eles eram os negros da editora e, como tal, só existiam para cumprir sua cota, sendo ameaçados de ir pro tronco do cancelamento ao longo de toda a década de 1960. Salvo raras exceções, eram personagens rasos e mal desenvolvidos. No desespero total, contrataram Neal Adams que, ao lado de Denny O ‘Neil, havia feito uma elogiada fase de Lanterna Verde e Arqueiro Verde.
Exatamente como aconteceu na DC e devido ao atraso normal da informação na época, o título foi cancelado prematuramente nos E.U.A. (mais tarde descobriram que vendia muito) e, diferente do que houve na concorrência, não tentaram manter a história quando descobriram o erro. Na verdade, o título permaneceu por um tempo reapresentando histórias antigas dos personagens.
Os Novos X-Men, capa de Gil Kane 1975
Os “Novos X-Men só surgiram em 1975, quando o então editor e roteirista Len Wein tentou criar uma equipe internacional com personagens oriundos de países que liam os quadrinhos da editora. Algo que não seguiu muito em frente, afinal Dave Cockrun ofereceu uns personagens que não foram usados durante sua passagem pela “Legião dos Super-Heróis“, e o grupo terminou tendo um demônio alemão e uma orixá africana como membros. Também é dessa fase o ressurgimento de Wolverine, personagem criado por Wein e que só não foi limado do título porque John Byrne resolveu dar um upgrade no personagem em 1980. Vocês imaginam X-Men semWolverine? Quase aconteceu, já que a versão original do personagem era carrancuda e antissocial, um animal capaz de matar alguém que olhou pra ele da maneira errada durante o café da manhã.
Quinze Almanaques Marvel e três Almanaques do Hulk depois, foi a vez da Abril assumir os personagens. A volta dos personagens emSuperaventuras Marvel 14 trazia a segunda aparição do Arcade, o vilão que criou uma versão mortal do Pinball. Depois disso eles enfrentaram o filho da ex de XavierJean Grey se tornou um anjo da morte, transformou um sol em supernova e matou um planeta inteiro; e, numa aventura que inspirou “O Exterminador do Futuro“, a Kitty Pryde do futuro voltou no tempo para impedir um assassinato. E isso foi só o começo.
O moicano da Tempestade
Na época, fiquei espantado com a forma inovadora que os personagens eram mostrados. Era tão bom que virou febre. Era atual. A Tempestade fez um moicano durante sua visita ao Japão e a sexualidade de alguns personagens era “dúbia”. Eles foram tanto pro oriente quanto pro espaço sideral, e a namorada deXavier era uma princesa alienígena. Sim, eram as mudanças sociais dos anos 70 e 80 sendo refletidas nos quadrinhos, numa fase em que tínhamos histórias dos anos 60,70 e até 80 na mesma revista. Pergunte a um garoto da época qual o seu grupo preferido e ele te dirá o mesmo que eu: Xís-Men. Mesmo que a animação tenha mudado a pronúncia para Équix-Men, todos dirão o mesmo, independente da pronúncia.
Meu envolvimento com os X-Men é pessoal e eles acompanharam ou motivaram muitos momentos importantes da minha vida. Diferente dos gibis da Bloch, que até meus 8 anos eu lia em Caxias, zona norte do Rio de Janeiro, os X-Men marcaram minha adolescência e motivaram algumas situações curiosas. Nos anos 80 eu morava em Parada de Lucas e estudava na MABE. Foi quando eu descobri os importados, os sebos e os clubes. Conversas de banca de jornal ou sebos me levaram a conhecer o Gibi Clube, cujos membros acabaram se tornando donos dos quadrinhos na década de 1990, e um deles ousaria um pouco mais, criando a Comicmania, uma convenção de quadrinhos que acontece até hoje. Foi devido aos X-Men que aprendi a partilhar, afinal, meu amigo Walter e eu sempre trocávamos revistas; foi ele, inclusive, que me apresentou a fasePaul Smith nos X-Men. Em 1986, com três anos de atraso, li o casamento do Wolverine e a saga dos “Brood” nas revistas sem capa dele.
Wolverine na primeira metade da década de 70
Hoje em dia, quando todo mundo lê “Scan” ou fala de colecionismo, é difícil imaginar que as pessoas trocavam gibis, mas na minha geração a gente trocava com os colegas os gibis que tinha comprado para poder ler tudo que saía na banca. E era barato ler. Bastava não lanchar que você comprava um gibi. Isso era uma forma de socialização e, por causa dos quadrinhos, conheci o Rio todo e alguns pedaços de São Paulo. Os X-Men me fizeram querer ser desenhista. Não deu muito certo, mas se você está me lendo hoje é porque os personagens serviram pra alguma coisa.
Nos anos 80 todos queriam ser o Byrne, nos 90 chegou a vez do Jim Lee e, muito antes da Image, todos copiavam seu estilo. Antes dos anos 90 era muito difícil conseguir os quadrinhos importados. A gente tinha de brigar pelas edições e, se quiséssemos algum título X, tínhamos de chegar cedo no dia que a banca de jornais da General Osório recebia o carregamento ou conhecer distribuidores da Siciliano ou daSodiler. Na bienal do livro de 1989 a distribuidora Devir veio pro Rio e todos conseguimos assinar nossos títulos preferidos. Na época eu já estava fazendo o fanzine Covil e troquei alguns fanzines pelo começo da fase australiana dos X-Men, ainda desenhados por Mark Silvestri. Surgiram outras distribuidoras, as gibiterias começaram a encher e, além do RPG e do “Sandman“, falávamos muito de X-Men. O problema é que foi a pior fase dos personagens em anos. Claremont havia saído e os roteiristas que vieram depois tentaram adaptá-los ao estilo da década, se esquecendo da caracterização dos personagens. Foi a década dos heróis de ação dos cinemas, e os quadrinhos copiaram isso da pior forma possível.
Nunca parei de ler, mas não acompanhava. Uma história aqui, outra ali, e era só isso. Voltei junto com oChris Claremont e fiquei indo e voltando até que Grant Morrison assumiu o título em 2002. E mais uma vez minha vida e os X-Men se cruzaram.
X-Treme X-Men Volume 1
Calhou  de eu viajar pra Portugal na época que a revista completava 50 edições pela Devir Editorial, e consegui ler uma história especial criada por artistas locais enquanto acompanhava os encadernados de Grant Morrison e o começo do “X-Treme X-Men“, de Claremont. Numa viagem que (eu pensava) iria comprar todos os Tintins eManaras do mundo, acabei fazendo amizade com os atendentes daGibiteria Mundo Fantasma e com os “adeptos de BDs Americanas” da Comics Central. Assim como Morrison fez com a revista, deixei o país para acompanhar a volta ao lar de Claremont.
E a vida seguiu. Agora com os scans e a internet é fácil ler o que você quiser. Continuo acompanhando a série, mesmo que de forma lenta. No primeiro filme dos X-Men, meu filho tinha dois anos e, além do longa ter servido como pretexto pra reunião dos membros doCovil, seu lançamento foi durante a época que me separei da mãe do meu filho. Meu filho cresceu e assistimos ao terceiro filme juntos no dia do meu aniversário. Já temos um compromisso para assistirmos a “Dias de um Futuro Esquecido” ano que vem. E, este ano, fomos juntos ao lançamento da Comicmania XV, que ajudei a divulgar. Falo deles para o Pipoca Gigante e, como membro do Podcast Cruzador Fantasma, comentei sobre as novidades da saga que comemorou os 50 anos dos personagens.
A minha é só uma das muitas histórias deste cinquentenário. Algumas extremamente pessoais, outras nem tanto. A grande verdade é que os personagens são queridos e continuam sendo. Outra grande verdade é que não veremos o próximo cinquentenário, mas devido à internet outros verão o que falamos deste e se espelharão em nós, como nos espelhamos naqueles que vieram antes de nós. Eles podem até gostar de algo diferente, mas se o Superman está a 24 anos do centenário, é bem provável que os mutantes sigam o mesmo caminho.
Com os que virão depois, divido a mais clássica frase da franquia: Bem-Vindos aos X-Men, novos fãs. Esperamos que vocês sobrevivam à experiência. 
X-Men por Jim Lee

A Lira dos 50 anos: Os Vingadores.

A Lira dos 50 anos: Os Vingadores.

“E houve um dia como nenhum outro, em que os maiores heróis do mundo se viram unidos contra uma ameaça comum. Naquele dia, Os Vingadoresnasceram… para combater os inimigos que nenhum super-herói poderia enfrentar sozinho!”
Bela frase, não? Quando você viu Os Vingadores pela primeira vez?
Com 42 anos, consegui ver o segundo boom da Marvelno Brasil. Antes, nos anos 1970, fui sócio do “Clube do Bloquinho” e, na TV em preto e branco, assistia aoCapitão AzaUltraman, Ultraseven e … aos desenhosdesanimados da Marvel. Você se lembra deles? Eram adaptações toscas feitas a partir dos próprios quadrinhos das revistas, mas eu era criança e sonhava em viver as aventuras dos personagens.
Alguns episódios adaptavam histórias dos Vingadores,e foi quando finalmente tive contato com eles e com osX-Men originais (como fui descobrir anos depois). Aporrinhei muito meu pai para que ele comprasse o gibi (que encontrei na feira atrás da minha casa) daquele grupo de super-heróis com aventuras dinâmicas que prenderam minha atenção. Não peguei o grupo em 1963, mas li as histórias da época, que foram publicadas pela primeira vez com todo o carnavalesco esplendor de sombras e cores típico das revistas da Bloch Editores, como a Revista Manchete.
Eram histórias simples e ingênuas nas quais os personagens aprendiam a conviver e a formar o grupo que ficaria famoso na América no final da década de 60. Na fase embrionária escrita por Stan Lee e desenhada por Jack Kirby e Don Heck, eu vi o retorno do Capitão América e as mortes de Magnun e do Barão Zemo.
Na época, a Bloch resolveu lançar títulos “modernos “que faziam sucesso. Um deles, o dos Defensores, apresentou um crossover entre o grupo e os Vingadores. O curioso é que, como os Defensores só ganharam um título próprio em meados dos anos 70 e em sua revista própria Os Vingadores ainda estavam nos anos 60, o leitor teve uma visão do futuro. Na verdade, devido a essa diferença de cronologia, foi publicada apenas uma parte do encontro dos supergrupos, cuja íntegra os leitores só puderam conferir nos anos 80, quando a editora Abril assumiu os personagens e publicou os Defensores até o ponto em que puderam contar esta aventura, para depois saltarem direto para as histórias os anos 80. Mas em 1978 a editora perdeu os direitos e os Vingadores viraram sem teto.
Como na época eu preferia Homem-AranhaMônica e a Vaca Voadora, não me importei. Continuei assistindo na TV e só voltei aos personagens em 1983, quando Roy Thomas, John Buscema Neal Adans narravam a Guerra Kree-Skrull dentro do mix da extinta Heróis da TV. Eu já lia os quadrinhos importados e tive contato com material realmente moderno. Na época, a Abril ainda estava tentando alinhavar a cronologia de seus personagens e era comum ver histórias dos anos 60 ao lado de dos anos 70 e até dos 80. Eles só se organizaram definitivamente perto dos anos 90, quando passaram a ter um atraso de três ou quatro anos.
Confesso que os abandonei de novo nos anos 90, época de péssimas histórias, mas voltei na virada do século quando, depois de um desastre chamado “Heróis Renascem”, trouxeram o escritor Kurt Busiek e o desenhista George PerezGeorge Perez e John Byrne foram parte do melhor momento dos personagens (de 1975 até 1980), e ter um dos dois de volta ao título foi uma grata surpresa. Byrne já havia assumido o título no final dos anos 80, quando fez várias mudanças na série. Infelizmente, nada que durasse muito além de sua passagem.
O retorno de Perez juntou a nostalgia do fã com a inovação das histórias. Era bom e eu fui ficando. Li Vingadores, a Queda (escrita por Brian Bendis) e tudo que veio depois com os personagens. Uma década de boas histórias. Na verdade, uma só história que ele soube fechar bem.
Pouco menos de quatro décadas depois, estou aqui para ver seu cinquentenário. E esta é uma época perfeita para ler os quadrinhos dos personagens. Desde (o mais recente) Vingadores vs. X-Men, o supergrupo mudou, acrescentou mais mutantes e virou algo novo e diferente. E vieram o filme, a animação e uma nova leva de leitores que nunca tiveram a chance de ler pela Bloch, mas leem pela Panini, pela própria Marvel, pelo Comixology (ou por scan mesmo).
Ser leitor no Brasil ainda não é fácil, mas se você não tem a barreira da língua, ainda pode comemorar o cinquentenário lendo histórias modernas, antigas… ou vendo desenho animado. Vai estrear um desenho novo deles no Disney XD este ano. Muitos falam mal dessa animação, outros falam bem, mas se você gostou da formação do filme, vai encontrar seus personagens preferidos na TV.

A revistinha com o cupom do "Clube do Bloquinho" para ganhar um poster

A Lira dos 50 Anos: A Gorducha, Baixinha e Dentuça

A Lira dos 50 Anos: A Gorducha, Baixinha e Dentuça

O que você faz quando alcança meio século? Que tal comemorar? Neste ano, MônicaVingadores e X-Men entram na meia-idade. Você se lembra da primeira vez que leu algum desses gibis? Onde você estava em Março de 1963? Pergunta idiota, né? Mas acredite, leitores de quadrinhos envelhecem e alguns se lembram deste ano.
Bem, eu aprendi a ler com os quadrinhos e não me lembro dos números da Turma da Mônica que eu tive, mas tive os primeiros. Quando eram publicados pela Editora Abril dos anos 1970 (depois disso ela passou pela Globo e hoje está na Panini), época na qual havia uma variedade maior de títulos nacionais na banca e várias editoras publicando. Eram os dias de ir pra casa de uma tia onde não tinha nada e ficar lendo todos os quadrinhos que caíssem na minha mão. E acredite, quando se era criança nos anos 70, todo mundo te dava um. Era oPassiflora daqueles tempos.
Aliás, minhas lembrança mais fortes são das paródias da cultura Pop da época. Secos e MolhadosRita LeeRoberto Carlos, as paródias de filmes como “Embalos de Sábado à Noite“, “Superman“, a história baseada em “Romeu e Julieta“, que pode ser considerada o primeiro crossover publicado no Brasil, afinal envolveu os dois títulos da época (Mônica e Cebolinha) por mais de um mês… Cara, eu amava aquele desenho de natal em que eles tentavam construir uma chaminé. Alguém se lembra disso? Passava direto na Globo e na TV Tupi.
Eram os tempos de ver a Mônica e sua turma em quase todo tipo de produto. Nem sei quantos bonecos de gesso eu quebrei porque tentava fazer Cebolinhas, mas sempre tirava antes do tempo, ou o quanto eu ria com as propagandas do Jotalhão e da Mônica, ou mesmo quantos banhos tomei com a linha da Phebo. Apesar de termos voltado a ter muitos produtos dos personagens, o grandeboom foi durante as décadas de 1970 e 1980, quando praticamente tudo era estampado com a imagem dos personagens, até brindes de caderneta de poupança. Inspirada na Grande Rio, que fechou uma parceria com a editora Bloch e usava os heróis da Marvel como garotos propaganda, a finada poupança HASPA ofereceu vários brindes com a turminha. Teve até um disquinho.
O Jotalhão na Cica e a Mônica na Phebo
Mônica Spada e Sousa, filha de Mauricio e diretora comercial da empresa (foto: divulgação)
Não é divertido pensar que a Mônica pegou a turma do Cebolinha à força? Aquela garota emburrada que apareceu em 1963 batendo no protagonista da tira acabou ganhando tanta força que em 1970 ganhou seu próprio gibi. Os quadrinhos da Mônica e sua turma continham todo o universo de Mauricio de Souza, que aos poucos foi sendo ampliado até chegar na quantidade de títulos que temos hoje. Aos puristas que reclamam de existir uma versão mangá da turma, eu sempre indico dar uma olhada na evolução dos personagens. O estilo nipônico chegou no final dos anos 70 e ficou.  Dos anos 90 em diante passaram a assumir a influência e o resto é história.

Cartaz de "A Princesa e o Robo"
O interessante é que estamos falando de um império do entretenimento totalmente brasileiro que mais do que nunca gera produtos de mídia e outros licenciados. Todo o mundo lê, afinal, é traduzido para todas as línguas conhecidas. Quantos produtos nacionais você já viu alcançar tamanha penetração?  Isso sem contar que quem atualmente administra a Mônica é a própria Mônica. A personagem foi inspirada na filha do Mauricio, que gostou da ideia e homenageou todos os que vieram depois da mesma forma.
Talvez tudo isso explique o fato de que daqui a 50 anos outras crianças e adolescentes terão lembranças com os personagens. Não só na infância, claro. Um dos meus primeiros beijos foi durante uma exibição de “A Princesa e o Robô”.


Nas próximas duas viagens pela alameda da memória falarei de “Vingadores” e de “X-Men”.

Superman através dos tempos (final): Nada será igual a antes (talvez).

Superman através dos tempos (final):  Nada será igual a antes (talvez).

Apavorado com os anos 90?  Como já sabemos, fases bagunçadas, soluções forçadas.
Os anos 2000, também conhecidos como a era dosreboots, foram simpáticos ao Superman. De 2000 a 2011, quando os Novos 52 surgiram após ”Flashpoint” e transformaram Clark Kent noHarry Potter dos quadrinhos, o Superman foi rebotado como Ferdinando-El, o supercaipira.
Houve um projeto chamado “Superman 2000”, em que nomes de peso como Grant MorrisonMark Millar,Mark Waid e outros menos conhecidos organizariam uma nova origem do personagem para o novo milênio. O projeto não foi aceito, mas ecoou em todos os seus títulos nos próximos onze anos.
Capa original de "Nossos Mundos em Guerra"
Na virada do milênio, Metrópolis foi infectada com o Vírus Brainiac 13 e se tornou a cidade do amanhã, com carros voadores e prédios inteligentes. Lex Luthor, após sacrificar sua filha Lena para possuir a tecnologia, se torna o presidente dos Estados Unidos da América. A presença de um verdadeiro vilão na Casa Branca foi um elemento importante na saga “Nossos Mundos em Guerra“, onde ele organizou o esforço coletivo da Terra para vencer Imperiex, o vilão da vez. Pouco depois disso, Jeph Loeb tentou trazer Kripton para os novos tempos e Lois e Clark foram parar no planeta pouco antes de sua destruição, onde atuaram como os lendários heróis  Asa Noturna e Flamejante e ainda conviveram com os pais biológicos deKal-El.  Como resultado desta viagem, eles trouxeram Krypto, o Supercão para o universo DC.
As influências das outras mídias foram sentidas. “Smallville” já era uma série longeva na TV e, após várias tentativas de relançar o herói nos cinemas que incluíram Nicholas Cage enfrentando Brainiac numa história escrita por Kevin Smith que virou sensação na internet depois de ter sido engavetada, o Superman retornou num filme que homenageou os originais, mas não fez sucesso.  Felizmente ou infelizmente, os conceitos criados pelo diretor Richard Donnerforam reaproveitados nos quadrinhos.

Geof Johns, nome importante nos quadrinhos do personagem por um bom tempo e para a DC mais pra frente, escreveu a minissérie “Crise Infinita“, que mais uma vez consertaria a história do universo DC e marcaria o retorno do Superboy primordial, de Alexander Luthor da terra primordial e do Superman da Terra 2, que voltou mais amargo após a morte de sua Lois Lane. A guerra que alterou todo o universo foi vencida e ahistória deu o salto de um ano em que o Superman ficou sem poderes.
Livre para contar uma nova origem, Johns fez um mix transmídia que alinhavou conceitos de “Smallville”, dos filmes de Donner e de elementos da Era de Prata. Pela primeira vez em décadas o Superman havia sido o Superboy original e participado ativamente da Legião dos Super-Heróis; a Fortaleza da Solidão era cristalizada; e Krypton absorveu os elementos da versão do filme. Ao longo de sua fase como roteirista, ele adaptou todas as origens dos vilões e outros elementos importantes, abrindo espaço para o que viria nos anos seguintes. Superman e Lois Lane adotaram o filho do General Zod, ocasionando o retorno dosKryptonianos graças à luta derradeira entre Brainiac e o herói, na qual este não só conseguiu salvar a cidade de Kandor como recuperar seu tamanho original e trazer os  sobreviventes para a terra, onde fundaram a Nova Krypton. Deixando claro quais eram as suas lealdades, o escoteiro azulão foi morar com seus compatriotas.
Os Kryptonianos

Paranoico, o governo da Terra (capitaneado pelo General Sam Lane) tentou matar os Kryptonianos, que acabaram se mudando para um planeta que também circundava o sol da Terra. A líderAlura (mãe da Supergirl) libertou o General Zod da Zona Negativae, em um de seus primeiros atos, o vilão mandou prender Kal por traição. Comandados por Zod, os Kryptonianos decidiram invadir a terra. No final, Zod retorna para a Zona Fantasma e Kal decide retomar seu lado “Clark”.
A intenção original era de que esta fosse a última saga do personagem antes do reboot que aconteceria em “Crise Final”, saga criada por Grant Morrison. Mas como o então presidente da editora bateu o pé, o reboot ficou para o evento chamado “Flashpoint”, que aqui no Brasil ficou conhecido como “Ponto de Ignição“, no qualFlash tentava salvar sua mãe e zoneia com toda a cronologia da editora.
Na nova era, mais direcionada ao audiovisual, a empresa passa a se chamar DC Entertainment e cria conceitos que podem ser utilizados em outras mídias (ou se apropria de elementos delas). Consequentemente, todos os personagens são readaptados.
O Colecionador de Mundos
O novo Superman escrito por Grant Morrison é menos escoteiro e, no começo de sua carreira, remete à sua versão da Era de Ouro, usando roupas surradas para combater todos os tipos de pequenos crimes. No momento em que é obrigado a enfrentar o DC Entertainment, o personagem ganha uma armadura Kryptoniana. Seus pais estão mortos e ele mora numa pensão, lembrando muito a história de Peter Parker, o Homem-Aranha. Nos cinco anos entre seu surgimento e o reconhecimento como herói, ele enfrenta todos os tipos de desconfiança e medos até finalmente se consolidar como membro da Liga da Justiça e “maior herói do mundo”. Esse Clark já trabalhou no Planeta DiárioRede Galáxia de Telecomunicações e acabou se tornando blogueiro. Não ficou certo se ele foi Superboy ou não, mas ele teve participação na Legião dos Super-Heróis, que mais uma vez o treinaram para que se tornasse o herói que deveria ser.
Algumas histórias ainda contam na cronologia do personagem e outras foram delicadamente deletadas. E é a partir desta Tabula Rasa que se iniciam os próximos 75 anos de história do personagem.
O que eles nos reservam? Só com o tempo descobriremos.

Superman através dos tempos: Ah, os anos 90…

Superman através dos tempos: Ah, os anos 90…

Você tem vergonha dos anos 90? Não está sozinho, oSuperman também tem. A década de 90 foi quando tanto Clark Kent quanto Superman morreram em histórias caça-níqueis, ele se tornou “elétrico, atômico, genial”, um déspota obcecado em proteger o mundo e ainda esteve dividido em várias eras devido à uma ideia bem infeliz.
Dean Cain e Teri Hatcher em "Lois & Clark: As Novas Aventuras do Super-Homem"
Logo no começo da década, um vilão ligado ao passado de Clark Kent descobriu sua identidade secreta e resolveu revelá-la ao mundo, em uma vendeta que fez com que o rapaz do interior abandonasse sua identidade civil. Cruzando a América num trailer com sua família, ele tentou escapar do problema até que finalmente conseguiu resolvê-lo e a trama termina como começou: sem grandes alterações ao status quo do personagem.  A história seguinte, entretanto…
Numa das reuniões anuais do staff responsável pelos títulos do Superman nos anos 90, Mike Carlin, o editor chefe de então, expôs seu problema: o plano de fazer o casamento do Superman foi por terra porque a Warner acreditava que “Lois & Clark“, a mais recente adaptação do personagem na TV, deveria participar. Mas, devido a atrasos, os planos teriam que ser abortados. À época, os personagens já eram noivos e cúmplices desde o fim da década anterior.
Apocalipse ou Doomsday
A solução? Matar o personagem. E foi o que fizeram. Mais especificamente foi o que fez a equipe composta por Dan Jurgens,Roger SternLouise SimonsonJerry Ordway e Karl Kesel, no arco em que a Liga da Justiça encontra uma nova ameaça, um inimigo poderoso demais para ser contido pelo grupo e, aparentemente, só subjugado pelo escoteiro azulão. Após um embate que durou meses, a vitória do Homem de Aço e seu supremo sacrifício foram apresentados na edição 75 do personagem.
O novo vilão, uma monstruosidade descerebrada chamada “Doomsday” (Apocalypse no Brasil), havia cumprido a profecia de seu nome, conduzindo o herói ao dia de seu juízo final. O que parecia ser o fim do personagem, foi na verdade um projeto que durou quase um ano, mostrou as consequências de um mundo sem o Superman e desembocou em seu inevitável retorno.
Após o adeus do personagem, foi publicada a série “Funeral para um Amigo“, na qual todos aqueles tocados por ele lidaram com sua passagem e com o desaparecimento de seu cadáver, abrindo espaço para a sequência derradeira da trilogia: “O Retorno de Superman“. Na nova série, surgem quatro personagens que alegam ser o Superman renascido, os quais se baseavam em alcunhas do personagem: O Homem de AçoO Filho de MetrópolisO Homem do Amanhã e o Último Filho de Krypton.
Superman Ciborgue, Superman Erradicador, Aço e Superboy
Eram eles: o Superciborgue, o Kriptoniano (que na verdade era a incorporação do Erradicador, um artefato Kriptoniano que já havia dado vários problemas ao personagem), Aço (que vestia uma armadura em uma homenagem ao falecido) e Superboy, um clone juvenil. Tirando o Superciborgue, todos os novos supermen ganharam títulos próprios. A história também foi a queda em desgraça do Lanterna Verde Hal Jordan que, após a destruição de Coast City, sua cidade natal, tornou-se um perigoso vilão. Como não poderia deixar de ser, o Superman retornou enfraquecido, mas completamente anos 90: adotou mullets e usou trabucos para combater seus inimigos.
Como compensação por todo o seu infortúnio, o tão esperado casamento finalmente aconteceu e, numa edição especial que contou com todos os criadores vivos já envolvidos com o personagem, Lois Lane finalmente tornou-se a senhora Superman.
Pouco depois, foi a vez do Superman Elétrico. Durante uma série chamada “Noite Final“, ele perdeu os poderes ao enfrentar oDevorador de Sóis. Além disso, uma estranha mutação em suas moléculas fez com que se tornasse um ser de pura energia forçado a usar uma roupa especial de contenção. Em uma luta contra o Superciborgue, foi dividido em dois Supermen: Superman Azul eSuperman Vermelho, o primeiro mais calmo e o segundo mais reativo. Apesar da homenagem à Era de Prata, os fãs ficaram felizes quando ele foi finalmente reintegrado.
O milênio foi fechado com péssimas sagas e o personagem perdia cada vez mais leitores. Seria a hora de um novo reboot?

Um Superman cansado em casa, 'a noite, com o peso do mundo em seus ombros. O que será que ainda vem por aí? Traço de Alex Ross

Superman através dos tempos: Superman pela Marvel Comics?

Superman através dos tempos: Superman pela Marvel Comics?

Já imaginou o que aconteceria se a Marvel colocasse as mãos emSuperman e cia.?
Quase aconteceu. Após um grande prejuízo causado por uma tentativa de crescimento editorial no final dos anos 70, houve uma violenta queda de vendas em todos os títulos da editora. O trágico momento ficou conhecido como “Implosão DC” e levou a editora a repensar seus negócios.
Time Warner, que havia comprado a editora, tomou a única decisão lógica: manter os direitos sobre o licenciamento de seus personagens e oferecê-los para a concorrência. Como consequência, o conglomerado manteria o lucro com derivados e se livraria da gordura ruim que era aDC Comics, ao passo que uma editora mais competente manteria os personagens nas bancas e comics shops.
Jim Shooter
A concorrência, também  conhecida como Marvel Comics, famosa por ter mudado a  forma  como os americanos liam quadrinhos com seus personagens mais humanos e centrados na realidade dos leitores, havia sido a pedra no sapato da DC desde o seu surgimento. Seus primeiros títulos eram distribuídos pela editora, que impunha limitações criativas como jamais criar super-heróis, algo que os criadores Lee e Kirby acharam um jeito de desobedecer e burlar quando lançaram  Fantastic Four 1, a revista que deu origem ao universo. Caso a transação vingasse, a editora licenciada contaria com uma polpuda participação nos lucros. Especulava-se um montante por volta de U$ 3 milhões só no primeiro ano .
Em 1984, as negociações entre executivos das duas empresas já estava adiantada e tinha um grande defensor: Jim Shooter, cria daLegião dos Super-Heróis, título que começou a escrever com 15 anos, que havia se tornado Editor Chefe da Casa das ideias.
Os títulos lançados seriam: SupermanBatmanMulher-Maravilha,Lanterna VerdeNovos TitãsLiga da Justiça e Legião dos Super-Heróis, que Shooter voltaria a escrever após mais de uma década ausente.
John Byrne

Todos os títulos ganhariam um novo número um e seriam desenvolvidos por equipes criativas que supostamente eliminariam os problemas criados pela Era de Prata.
John Byrne, então artista do Quarteto Fantástico e com passagens por todos os personagens da editora, principalmente os X-Men, título mais vendido dos anos 80, não só fez uma proposta para o título do Superman como apresentou uma capa para sua primeira edição.
O que poderia ter se tornado uma nova Era de Ouro, com os roteiros e artes dinâmicas que tanto buscavam, morreu antes de nascer. A independente First Comics processou a Marvel por monopólio e a empresa por trás da editora decidiu recusar o que seria uma proposta excelente para não se queimar no mercado.
Não havia sido a primeira tentativa de negociação, só a primeira que quase foi pra frente. Infelizmente para a Time Warner, a DC Comics precisava continuar existindo (dando lucro ou não).
A editora tentou mudar seus personagens e chamou autores de peso para criar conceitos para os três grandes (Superman, Batman e Mulher-Maravilha). As propostas não deram certo e o única que, com muitas mudanças, chegou a ir para as bancas foi O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. O título foi um sucesso, deu novo fôlego para o personagem e o conglomerado viu que em mãos capazes seus personagens ainda renderiam muito. É deste título a famosa cena em que Batman, usando o anel deKriptonita, dá uma surra num enfraquecido Superman, assim como a primeira aparição do presidenteRonald Reagan nos quadrinhos da editora. Reagan se tornaria presença constante em muitos títulos pós crise, principalmente os que envolvessem a União Soviética.
Algumas participações do então Presidente Ronald Reagan nos quadrinhos do Superman
Numa tentativa desesperada de transformar seus personagens em algo interessante não só para os anos 80 como para todas as décadas vindouras, Marv Wolfman e George Perez, responsáveis pelo sucesso “Novos Titãs”, foram convocados para a hercúlea tarefa de criar um título que reunisse todos os personagens na história final do Multiverso DC. Nascia assim a maxi série de 12 edições Crise nas Infinitas Terras, que separava o universo DC não em eras, mas nas fases pré e pós-crise. No final do evento, toda a história foi reiniciada e um novo universo DC nasceu.
Crise nas Infinitas Terras
Durante a crise, o Superman sofreu várias mudanças: sua prima foi assassinada pelo vilão da série, todos os Kriptonianos foram apagados da história e passou a haver apenas um Superman. OSuperman original, ou da Terra 2, e sua Lois Lane se perderam entre as realidades. Tais mudanças abriram espaço para a versão de John Byrne que, após sair brigado da concorrência, foi para a editora realizar o projeto para o qual havia sido contratado dois anos antes.
Mas faltava uma despedida adequada.
O réquiem da Era de Prata foi contado por Alan Moore ao lado de Perez, Curt Swan (considerado o desenhista definitivo do personagem até então) e Kurt Schaffenberger (outro nome com profundas ligações na mitologia do personagem) e se chamava “Superman: o que aconteceu ao homem de aço?“. Na história, na ocasião de uma década do desaparecimento do personagem, um repórter entrevista Lois Lane, que passa a narrar sua última aventura, um verdadeiro tributo à Era de Prata e suas histórias.

Artes Inéditas de Histórias da Bíblia

Apesar de ter tido uma edição publicada, a proposta da série Histórias da Bíblia era narrar todas as histórias contidas neste que é um dos ...